3.11.15

a inauguração de "LONELY HEARTS" já foi




Para quem não esteve na inauguração de LONELY HEARTS, pode passar por aqui até dia 25 de Novembro para a ver.
Vale bem a pena, as fotos já estão a circular pelas redes sociais para abrir ainda mais o apetite.

Não queremos mesmo é deixar de fazer o nosso agradecimento ao blog LEPLAYTIME.pt da Madalena Galamba pelo destaque que lhe deu.
Conhecemos a Madalena já faz muito tempo e sempre gostámos dos projectos em que se empenhou de alma e coração e pelo que faz para divulgar o design e coisas mesmo bonitas pelos nossos lados.

Gostávamos de saber escrever como ela, mas não temos esse dom... por isso mesmo transcrevemos aqui a entrevista feita ao Júlio Dolbeth + Mariana, a miserável, horas antes do evento abrir as portas.

O resto, é mesmo passar pelo LEPLAYTIME.pt e ver o que está por lá... uma visita que passa a ser regular para nos fazer sorrir nos nossos dias.



LE PLAY TIME

A Solidão é Linda (Mariana A Miserável + Júlio Dolbeth na Mundano)


Não é a primeira vez que estes dois se encontram, mas este date tem tudo para ser memorável. Esta vez, o encontro entre Júlio Dolbeth e Mariana, a Miserável acontece na Mundano (aquele lugar no Porto que só tem coisinhas boas para a alma: design, arquitectura e todo um mundo bioagradável à nossa espera) onde amanhã inaugura a exposição “Lonely Hearts”. Fica até 25 de Novembro.

Dolbeth e A Miserável são só dois dos mais brilhantes e inspirados ilustradores portugueses e tudo o que tocam é tão bonito, mas tão bonito, que até irrita. Já é bom vê-los em separado, mas juntos, não sei se o meu coração aguenta (com muita pena minha, tenho planos para o fim-de-semana e ainda não é desta que vou ao Porto).

De cada vez que dou de caras com um desenho deles penso: “É mesmo isto”. Não há nada a fazer. São acendedores de corações, cupidos em acção, e provocam flechazos sucessivos. É lamechas, sim, mas aqui até o lamechas é bom.

Mariana e Júlio têm a sensibilidade à flor da folha. Não sabemos o que vamos encontrar na Mundano, mas suspiramos, oh sim, pelo que nos espera. Corações solitários, assim só para começar. Juntámos os dois à esquina numa microentrevista feita por email, e eles explicam um bocadinho. Mete speed dating, corações desconfiados, sites de engate e mesas para párias modernos.

Não é a primeira vez que se encontram, pois não? O que é que vai ser diferente desta vez?

Júlio: A Mariana e eu já participámos em vários projetos juntos, ligados de certa forma à ilustração. A primeira vez que expusemos juntos foi em 2010, na galeria Ó, no Porto, com um projeto chamado The End. A nossa ideia seria a de construir uma narrativa em torno de uma relação afetiva que chegaria ao fim. Desta vez pensámos em recuperar esta ficção e desenvolver trabalho sobre personagens solitárias, que buscam uma relação, mas nem sempre são bem sucedidas.

O título é uma homenagem ao Sargento dos Beatles ou não tem nada a ver?

Júlio: O tema dos Beatles hoje em dia é quase vernacular, provavelmente surgiu-nos por fazer parte da nossa memória coletiva, embora tenha sido um acto inconsciente. O título remete para o título de uma música, mas também para gangues americanos dos anos 50. Temos casacos iguais com o título bordado nas costas, em forma de reinscrição neste imaginário, como se se tratasse de um clube. O clube dos corações solitários ganha força por nos apoiarmos uns aos outros. Também fizemos alguma investigação, a Mariana foi infiltrada num encontro de speed dating, organizado por umas amigas nossas aqui no Porto.

São trabalhos a duas mãos ou cada um para seu lado?

Júlio: A exposição foi pensada a duas cabeças e toda a parte de produção, conceito e instalação desenvolvida a duas mãos. Os trabalhos a apresentar são individuais, mas trabalham o tema em comum.

O que vamos ver na Mundano?

Júlio: Da minha parte são essencialmente personagens em suspensão, momentos em que há uma palavra-chave que descodifica a narrativa. Há uma série de corações desconfiados, onde nenhuma seta de cupido lhes acerta.

Mariana: Da minha parte, são as personagens de sempre a viver ironias e conclusões que experienciei na primeira pessoa enquanto investigadora infiltrada no mundo da solidão, do tinder, do speed dating, da mesa das crianças nos casamentos, etc.

Júlio, do que é que gostas mais no trabalho da Mariana?

Gosto muito das personagens da Mariana, gosto da técnica e da forma como aparentemente os desenhos lhe saem de forma automática (sei que não é verdade). Gosto muito da ironia e das metáforas que a Mariana cria à volta desta ideia ficcionada de miserabilidade, como uma vida infeliz.

Mariana, do que é que gostas mais no trabalho do Júlio?

O Júlio foi desde o início uma referência para mim, gosto muito do universo visual que ele criou, quando usa cor, ou quando usa grafite com pormenores de cor. Gosto das estórias que conta e da forma flutuante como as conta, dá espaço ao espectador para imaginar o final. Gosto de quando se retrata e gosto de acreditar que grande parte do seu trabalho é autobiográfico porque é deveras coerente e genuíno.
MADALENA GALAMBA


Apareçam!
Bom fim de tarde.

 


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